Interesse do brasileiro por pechincha é chave para o futuro do chinês Alibaba

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, porém, está longe de ser um paraíso para os consumidores. O país participa de poucos tratados de comércio e criou barreiras protecionistas para proteger indústrias locais que são, de maneira geral, ineficientes. Além disso, mão de obra, energia e transporte têm um custo elevado. O  é que a maioria dos produtos, locais ou importados, custa substancialmente mais no  que nos EUA.

Os investidores não são os únicos entusiasmados com o Alibaba Group Holding Ltd., que espera captar até US$ 20 bilhões em sua primeira oferta pública de ações, marcada para esta semana na bolsa de Nova York.

Para fugir dos preços altos no mercado doméstico, os consumidores brasileiros estão recorrendo ao gigante chinês do  em busca de pechinchas. Em julho, mais de 12 milhões de pessoas navegaram pelo site AliExpress, uma unidade do Alibaba.com no Brasil. É um avanço considerável em relação ao 1,5 milhão de visitantes únicos de um ano atrás e quase o triplo do que o mercado virtual do eBay Inc. EBAY +2.98% atrai no país, segundo a firma de pesquisa de mercado comScore Inc. SCOR +1.44% Só entre junho e julho, o número de visitantes no Brasil saltou 40%.

O Alibaba Group, que não pôde comentar porque está no período de silêncio exigido pelos reguladores em antecipação à abertura de capital, facilitou as compras dos brasileiros ao traduzir alguns dos sites para o português, inclusive o AliExpress.

“O Brasil é hoje uma das cinco maiores audiências de internet no mundo. E não há sinais de que vai parar, em termos de tamanho de audiência, crescimento, engajamento, uso de buscas, uso de vídeo, de”, diz Alex Banks, diretor da comScore para a América Latina. “Se você é uma empresa de internet e o Brasil não faz parte da sua expansão internacional, então você está fazendo algo terrivelmente errado.”

O site do Alibaba está atraindo compradores como Gabriel de Paula, um skatista de 24 anos que mora em  e gosta dos tênis da Vans Inc. VFC +1.86% Um moletom com capuz da californiana Cypress custa mais de R$ 260 num shopping center da cidade, devido aos altos  de importação e outros custos. Ele ficou tão feliz de encontrar o mesmo agasalho por cerca de R$ 70 no AliExpress que comprou logo dois. O transporte das roupas e a passagem pela alfândega levaram três meses e o rapaz ainda não sabe se as peças são autênticas. “Mas, pelo preço e pela qualidade, valeu a pena”, diz.

O Alibaba, que tem sede na cidade chinesa de Hangzhou, começou suas atividades com o website Alibaba.com, que ajudava fabricantes a se conectar com atacadistas no mundo todo. Mais tarde, a empresa lançou o Taobao e o Tmall, que se tornaram os maiores sites de  do país, mesclando o modelo de  diretas ao consumidor com o de  de consumidor para consumidor, e o AliExpress, que passou a permitir que fabricantes vendam produtos para pronta entrega a preços de atacado a consumidores fora da China, aceitando pagamentos por cartão de crédito.

Embora originalmente desenvolvido para transações no atacado, o site é hoje popular entre consumidores que compram pequenas quantidades para uso pessoal, principalmente nos Estados Unidos, Rússia e Brasil. O negócio de comércio internacional da empresa é relativamente pequeno, tendo respondido por cerca de 9% dos US$ 8,46 bilhões que o Alibaba faturou no ano fiscal encerrado em março. Mas o fundador do grupo, Jack Ma, um ex-professor de inglês, há muito acalenta ambições globais.

A ascensão de milhões de brasileiros à classe média nos últimos dez anos tornou o Brasil um mercado-chave para que Ma leve seu sonho adiante. A demanda insaciável do país por produtos mais baratos e sua grande base de usuários da web estão ajudando a fazer do varejo internacional uma das áreas de maior crescimento no Grupo Alibaba. A empresa afirmou, no prospecto da sua abertura de capital, que as vendas no Brasil ajudaram a expandir o negócio de varejo internacional em 139% no último ano fiscal.

O Brasil é o quinto maior mercado de internet do mundo em termos de usuários únicos e o terceiro em termos de tempo gasto on-line, segundo a comScore. Dos 85 milhões de internautas brasileiros, 59,8 milhões pesquisaram sites de varejo em julho, 13% a mais que em janeiro. O Alibaba tem o sexto maior site de comércio eletrônico no país, atrás de gigantes como o MercadoLivre, MELI +0.56% da empresa Ebazar.com.br Ltda., e o  de artigos esportivos Netshoes, da NS2.Com Internet SA.

O Brasil, porém, está longe de ser um paraíso para os consumidores. O país participa de poucos tratados de comércio e criou barreiras protecionistas para proteger indústrias locais que são, de maneira geral, ineficientes. Além disso, mão de obra, energia e transporte têm um custo elevado. O resultado é que a maioria dos produtos, locais ou importados, custa substancialmente mais no Brasil que nos EUA. Um PlayStation 4 da Sony, 6758.TO +1.07% por exemplo, que é vendido por cerca de US$ 400 nos EUA, foi lançado neste ano a um preço impressionante de US$ 1.800 (o console de videogame é vendido por R$ 3.999 no site da Sony no Brasil). Além disso, a renda mediana anual no Brasil era de somente US$ 10.000 em 2012, pouco mais que um terço da renda mediana americana.

O lado bom, dizem analistas, é uma população faminta por pechinchas. Os brasileiros de alta renda são conhecidos por comprarem em grandes quantidades em Miami e Nova York. Mas, para aqueles que não podem pagar por uma viagem aos EUA, o AliExpress se tornou uma opção atraente. Um porta-voz dos Correios disse que as remessas vindas da Ásia quase dobraram no período final de 2013.

Denise Coelho, que é caixa de banco em São Paulo, comprou recentemente uma blusa no AliExpress por US$ 8, pagando menos de US$ 0,43 pelo envio. A encomenda levou 60 dias para chegar. Mas a jovem de 22 anos diz que o site a ajudou a esticar o seu modesto orçamento. “Nunca imaginei que roupas pudessem custar tão barato”, diz ela.

Jack Ma, fundador e presidente do conselho do Alibaba. O Brasil está se tornando um mercado importante para ajudar o executivo e levar adiante seus planos de expandir a empresa fora da China. Bloomberg NewsO comércio eletrônico no Brasil tem seus percalços. A regulamentação determina que as muitas encomendas chegando ao país do exterior podem ser sujeitas a um  de importação de até 60%, se tiverem um valor maior que US$ 50. Muitos desmembram o pedido em vários pacotes, de modo a ficar abaixo do limite. Ainda assim, dizem compradores, o limite é aplicado de forma inconsistente. Alguns compradores não pagam imposto nenhum, enquanto outros dizem ter sido arbitrariamente taxados em até 100% do valor da mercadoria.

Os Correios informam que o volume de encomendas internacionais quase quadruplicou nos últimos quatro anos. A companhia agora cobra uma taxa de R$ 12 por pacote dos destinatários, ainda que o valor da encomenda esteja abaixo do limite.

O Alibaba alerta em seu prospecto que um aumento nas restrições ao envio de produtos a diferentes mercados poderia afetar sua área internacional.

De sua parte, o  brasileiro parece apoiar o novo canal de negócios. A presidente Dilma Rousseff, o presidente chinês, Xi Jinping, e representantes dos Correios e do Alibaba assinaram um acordo para facilitar o comércio entre pessoas e pequenas e médias empresas dos dois países.

O porta-voz dos Correios disse que a empresa está trabalhando com a  no teste de novos sistemas para acelerar os trâmites alfandegários. Uma ideia é permitir que impostos de importação sejam pagos on-line.

O Alibaba afirmou, em seu prospecto, que vai continuar levando seus serviços para mercados emergentes, onde “produtos de qualidade da China a preços diretamente ao consumidor oferecem um valor significativo”.

(Colaborou Paulo Trevisani, de Brasília.)

 

Fonte: Roberto Dias Duarte

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